Keywords contra-arquivo, museu, teoria queer, arquivo multimídia
PT
Resumo
Este trabalho objetiva apresentar o programa Contra-Arquivo Queer, do muq - museu do que nos resta, a partir de uma proposta híbrida de comunicação, exposição virtual e um exercício de construção arquivística. Propõe-se a exploração de práticas de resistência que evidenciem o resgate de narrativas visuais de dissidências de gênero e sexualidade, bem como suas demais características interseccionais. O ‘Muq - museu do que nos resta’ especula o museu como prática em arquitetura, artes e psicanálise, por meio da curadoria, pedagogia e práticas espaciais críticas, e da construção de contra-arquivos. A prática do muq parte das teorias queer e decoloniais no tangente da crítica institucional, como Françoise Vergés, Clémentine Deliss, Anne Cvetkovich, Paul Preciado e Jota Mombaça. Assim, parte da reivindicação do “museu como prática”, questionando a institucionalização dos dispositivos de memória, dos espaços de criação e da agência de corpos dissidentes na produção da memória. Muq está ancorado em diferentes territórios, digitais e físicos, podendo ser acessado no site http://muq.cargo.site, e opera a partir doBrasil desde 2021, tendo participado de exposições e workshops locais e internacionais no Brasil e Reino Unido. Trabalhamos nas escalas do espaço e no escopo das culturas visuais, explorando as emergências climáticas e a memória e produção de corpos dissidentes. Desde 2022, buscando resistir às práticas de violência e LGBTfobia e a uma lógica heterociscentrada de produzir memória, o muq começa a construção do Contra-Arquivo Queer, a fim de catalogar, registrar e evidenciar práticas/vivências/experiências não-normativas de gênero e sexualidade em diferentes esferas: privada, pública, urbana, política, relacional, individual, coletiva, virtual e real. O projeto segue a proposta derridiana de repensar o arquivo apresentada por Ann Cvetkovich, e adota uma posição arquivística na qual o arquivo deixa de ser um espaço de depósito e entrega ao esquecimento e passa a ser uma prática de evidência que sai do armário para o mundo. Os modos de aquisição dos artefatos (documentos audiovisuais) do acervo são variados: ações públicas junto a eventos acadêmicos e não acadêmicos e contatos diretos com pessoas que concederam suas vozes, histórias, fotografias ou vídeos. Desta forma, trabalhamos com registro multimídia visual, oral e escrito daquilo que nos foi cedido ou contado e nos lançamos ao compromisso de produzir dispositivos de memória em ambiente virtual e híbrido. Propõe-se um trabalho híbrido: uma comunicação oral sobre as ações do muq com o Contra-Arquivo e seu compromisso epistemológico e técnico com a ideia do museu como prática e uma exposição do nosso acervo com um exercício de contribuição no arquivo em formato de instrução. Entendemos também esta participação como uma oportunidade de buscar contribuições para o acervo em constante construção, afinal, partimos da ideia de que os limites deste contra-arquivo são experimentados na relação com o outro, buscando questionar normativas da institucionalização da prática museológica sob uma perspectiva freiriana. Desse modo, o trabalho insere-se nos temas de narrativas contra-hegemônicas, dinâmicas de arquivo e práticas artísticas como estratégia de resistência que investigam, de forma crítica, as dimensões sociais da imagem.
PT
Lucas de Mello Reitz
Arquiteto e urbanista (Udesc e Universidad de Sevilla, 2014) e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade (UFSC, 2014). Desenvolve uma prática espacial crítica, com produção e pesquisa em culturas visuais em uma perspectiva queer, com experiências no Brasil, Bélgica e Canadá. Atualmente, cursa o programa de Curadoria de Arte Pública na HDK-Valand, Universidade de Gotemburgo. Foi participante do Cohort of Respondents do programa AFFIRMATIONS da Universidade de Columbia (2023, NY, EUA) para discussão de temáticas emergentes na arquitetura. Co-dirige e é curador do muq, experimentando o museu como prática em arquitetura, psicanálise e artes, com participações no Field Office Workshop 01 (Londres, 2023), Museu da Escola Catarinense (2022), The 5th Wrong Biennale (2021) e o Seminário Psicologia e Luto (2021). Professor de teoria e história da arquitetura entre 2017 e 2022 (UFSC e UDESC) e tutor no International Design Week da Academia de Belas Artes, Antuérpia (Bélgica, 2023). Compôs o Júri Artístico em 2023 do 2eme EDIQ Congrès e foi bolsista artístico em 2022 com a instalação multimídia "Exception Tectonique", na Université Laval (Québec, CA, 2022). Artista participante e proponente do projeto de pesquisa "Paisagem Tendência", premiada com Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura, FCC (2022-23) e Prêmio Cultura Arquitetônica IAB 2023. Membro ativo do Arquitetura Bicha, referência na discussão da arquitetura queer no Brasil.
Gustavo da Silva Machado
Psicólogo especialista em saúde com ênfase em urgência e emergência (RIMS/UFSC), Mestre em Psicologia Social e Cultura (PPGP/UFSC) e Doutor em Psicologia (PPGP/UFSC). Foi pesquisador visitante no departamento de Psicologia Social da Universidade Livre de Bruxelas (CeSCuP/ULB - 2022-2023). Co-dirige o muq, experimentando o museu como prática em arquitetura, psicanálise e artes, com participações no Field Office Workshop 01 (Londres, 2023), Museu da Escola Catarinense (2022), The 5th Wrong Biennale (2021) e o Seminário Psicologia e Luto (2021). Foi bolsista do DAAD dois anos consecutivos (2021 e 2022) para o curso de verão da Universidade Internacional de Psicanálise de Berlim. É professor nos cursos de psicologia e medicina da Universidade do Vale do Itajaí e professor visitante no mestrado integrado à formação em psicanálise da Tavistock Clinic, em Londres. Foi consultor de atenção psicossocial do UNICEF em Roraima (2020-2021) e psicólogo do Centro de Referência de Atendimento a Imigrantes (CRAI/SC) em Florianópolis (2018-2019). Atuou como psicólogo na Associação de direitos humanos com enfoque na sexualidade em Florianópolis (2015-2017). Trabalha em consultório privado desde 2017 como psicanalista, além de articular em sua prática atividades de democratização e popularização da psicanálise. Como interesses de pesquisa tem estudado práticas de normatização da diferença, clínicas públicas de psicanálise, arte e memória.
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Lucas de Mello Reitz
Architect and urban planner (Udesc and Universidad de Sevilla, 2014) and Master in Urban Planning, History and City Architecture (UFSC, 2014). Develops a critical spatial practice, with production and research in visual cultures from a queer perspective, with experiences in Brazil, Belgium and Canada. Currently, he is studying the Public Art Curation program at HDK-Valand, University of Gothenburg. He was a participant in the Cohort of Respondents of the AFFIRMATIONS program at Columbia University (2023, NY, USA) to discuss emerging themes in architecture. Co-directs and curates the muq, experiencing the museum as a practice in architecture, psychoanalysis and arts, with participation in the Field Office Workshop 01 (London, 2023), Museu da Escola Catarinense (2022), The 5th Wrong Biennale (2021) and the Psychology and Mourning Seminar (2021). Professor of theory and history of architecture between 2017 and 2022 (UFSC and UDESC) and tutor at the International Design Week of the Academy of Fine Arts, Antwerp (Belgium, 2023). He was part of the Artistic Jury in 2023 of the 2eme EDIQ Congrès and was an artistic fellow in 2022 with the multimedia installation "Exception Tectonique", at Université Laval (Québec, CA, 2022). Participating artist and proponent of the research project "Paisagem Tendência", awarded with the Elisabete Anderle Prize for Stimulation to Culture, FCC (2022-23) and the IAB 2023 Architectural Culture Prize. Active member of Arquitetura Bicha, a reference in the discussion of queer architecture in Brazil.
Gustavo da Silva Machado
Psychologist specializing in health with an emphasis on urgency and emergency (RIMS/UFSC), Master in Social Psychology and Culture (PPGP/UFSC) and PhD in Psychology (PPGP/UFSC). He was a visiting researcher at the Social Psychology department at the Free University of Brussels (CeSCuP/ULB - 2022-2023). Co-directs the muq, experiencing the museum as a practice in architecture, psychoanalysis and arts, with participation in the Field Office Workshop 01 (London, 2023), Museu da Escola Catarinense (2022), The 5th Wrong Biennale (2021) and the Psychology Seminar and Mourning (2021). He received a DAAD scholarship for two consecutive years (2021 and 2022) for the summer course at the International University of Psychoanalysis in Berlin. He is a professor in psychology and medicine courses at the University of Vale do Itajaí and a visiting professor in the master's degree integrated into training in psychoanalysis at the Tavistock Clinic, in London. He was a psychosocial care consultant at UNICEF in Roraima (2020-2021) and a psychologist at the Immigrant Assistance Reference Center (CRAI/SC) in Florianópolis (2018-2019). He worked as a psychologist at the Human Rights Association focusing on sexuality in Florianópolis (2015-2017). He has worked in a private practice since 2017 as a psychoanalyst, in addition to articulating in his practice activities to democratize and popularize psychoanalysis. His research interests have studied practices of normalization of difference, public psychoanalysis clinics, art and memory.